No próximo dia 11 de abril, o Peru realizará eleições gerais para escolher um novo presidente e dois vices, 130 membros do congresso, além de cinco representantes do Parlamento Andino. No entanto, a indecisão ainda toma conta do eleitorado.
De acordo com a última pesquisa de opinião realizada pelo Centro Estratégico Latino-americano de Geopolítica (CELAG), 47,3% ainda irá decidir em quem votar e outros 4,9% não sabem.
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Na próxima segunda, terça e quarta-feira, o poder eleitoral realizará o último debate entre os candidatos, separando em três blocos de seis pessoas. A proposta é que o confronto de ideias entre candidatos a uma semana do processo eleitoral estimule a participação.
Yohnny Lescano
O candidato do partido Ação Popular é o favorito com 14% das intenções de voto, de acordo a pesquisa da empresa Datum, realizada entre os dias 18 e 21 de março.
Lescano iniciou a vida política em 2000 como deputado pelo seu estado de origem Puno, ao sul do país. Nesses anos passou por três partidos políticos. O advogado foi eleito presidente da sua legenda em novembro do ano passado, tornando-se quase o candidato natural nestas eleições.
Durante o período parlamentar, assegura que aprovou 130 leis de sua autoria. No entanto, um levantamento realizado por meios locais aponta que dos 676 projetos propostos por Lescano, apenas 121 se converteram em legislação.
O Ação Popular, de centro-direita, foi o partido governante no Peru por três ocasiões, a última durante menos de uma semana, com o governo interino de Manuel Merino, em novembro de 2020, episódio que foi considerado pela população um golpe parlamentar contra Martin Vizcarra.
Em seu plano de governo, Lescano propõe criar cinco milhões de postos de trabalho em cinco anos e reduzir o trabalho informal para 30%. Hoje, a informalidade é realidade para 70% da população economicamente ativa.
E diante da crise sanitária do Peru, segundo país com maior taxa de letalidade por coronavírus da região, Lescano assegura que irá aumentar o orçamento para subir o salários dos profissionais e abrir novos hospitais. "A saúde é um direito", declara.
Rafael López Aliaga
Disputando o segundo lugar e uma possível vaga no segundo turno, está o postulante de extrema-direita do partido Renovação Popular, Rafael López Aliaga, com 9% das intenções de voto.
Sua candidatura quase foi impugnada pelo Juri Nacional Eleitoral (JNE) acusado de ter se aliado a Rodolfo Orellana, suspeito de ser chefe de uma facção criminosa para comprar o time de futebol Alianza Lima Club.
O engenheiro, de 60 anos, é natural de Lima, e foi classificado por analistas como um “Bolsonaro peruano” por suas declarações contra os direitos da população lgbtq+ e aos direitos reprodutivos das mulheres.
— Rafael López Aliaga (@rlopezaliaga1) March 24, 2021
O ex-prefeito de Lima é um representante da Opus Dei, grupo conservador dentro da Igreja Católica.
Depois de passar 90 dias doente com a covid-19, Aliaga reconhece que escolheu seus companheiros de chapa em reuniões online e com alguns nunca teve um encontro pessoal.
Recentemente criticou o milionário estadunidense George Soros de apoiar Manuel Merino para assumir a presidência depois da destituição de Martin Vizcarra. No entanto, investigações jornalísticas confirmaram que Soros é acionista em empresas de Rafael Aliaga.
George Forsyth
O ex-goleiro do time Alianza Lima Club é outro candidato que se apresenta como “outsider” e pode disputar o segundo turno. De acordo com o levantamento de Datum, possui 8% da preferência do eleitorado.
Em 2016, Forsyth apoiou a candidatura de Pedro Pablo Kuczynski, do partido “Peruanos por el Kambio”, que foi afastado do poder por denúncias de corrupção. Em 2018, o ex-goleiro foi prefeito da região de La Victoria pelo Partido Popular Cristão, mas abandonou o cargo para disputar o pleito atual pela aliança Vitória Nacional.
George Forsyth é o candidato mais jovem da corrida eleitoral, com 38 anos, e destaca sua recente vida política como uma garantia de que não é “corrupto”.
Se eleito propõe criar uma “constituição anti-corrupção”, que caracterize a corrupção como crime de lesa-humanidade. Já na área da saúde, promete vacinar todos os peruanos até o final do ano.
Verónika Mendoza
Pela esquerda, a deputada pela região de Cusco, sua cidade natal, Verónika Mendoza é a candidata da aliança Juntos pelo Peru e tem 6% de intenções de voto, segundo as últimas pesquisas.
Com mãe francesa, estudou psicologia em Paris. Quando voltou ao Peru, aproximou-se de organizações de esquerda e foi eleita congressista em 2011. Renunciou ao cargo um ano depois.
Esta é a segunda eleição presidencial que disputa; em 2016, concorreu pela Frente Ampla.
O seu programa inclui 20 medidas emergenciais para tirar o país da atual crise sanitária e econômica. Entre as propostas está a garantia de vacinação universal e gratuita contra a covid-19, a criação do Plano "Chamba" (trampo) para oferecer emprego a 200 mil jovens e apoiar pequenos empresários. Verónika também apresentou sua equipe de governo, caso seja eleita, composta majoritariamente por acadêmicos.
Edição: Rebeca Cavalcante