Argentina

Alto índice de abstenção preocupa nas eleições primárias argentinas do próximo domingo

Inflação acima de 100% gera apatia; candidato peronista lidera nas pesquisas

Brasil de Fato | São Paulo (SP) | |
Sergio Massa teria cenário favorável à sua candidatura segundo pesquisas - Reprodução/ @SergioMassa

 

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A possibilidade de que uma grande parcela do eleitorado não vote nas eleições primárias da Argentina do próximo domingo (13) é uma das preocupações que envolvem o pleito, segundo analistas políticos ouvidos pelo Brasil de Fato. A votação decide quais serão os candidatos que vão concorrer à Presidência, legislativo e governos, no primeiro turno, em 22 de outubro.

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“Nos anos 1980, votavam 80%; nos anos 1990 entre 80 e 85%; nos últimos anos estamos  entre 70 e 75%”, afirmou Facundo Cruz, coordenador do laboratório Pulsar da Universidade de Buenos Aires, especializado no monitoramento da opinião pública. 

A desconfiança do eleitorado já foi sentida nas eleições regionais que ocorreram este ano. Na província de Córdoba, ela chegou a 40% dos eleitores na eleição para prefeitos.

O cientista político Pablo Garibaldi, também da Universidade de Buenos Aires, acredita que a tendência deve ser confirmada. Ele pondera que nas eleições legislativas de 2021, "havia muito medo na sociedade", por causa da pandemia do coronavírus. 

"Essa  menor participação também estamos vendo nas eleições para governadores e prefeituras e tudo indica que vamos ter isso nas primárias”, completa. 

Consultorias estimam que a participação deve ficar em torno de 70%, uma das menores desde a redemocratização do país, nos anos 1980.

Economia e extrema direita

Entre os motivos apontados para a apatia está a descrença de que a política possa resolver os sérios problemas pelos quais passa a economia argentina. A inflação acima dos 100% anuais vem elevando os índices de pobreza no país. 

As eleições de domingo, chamadas de PASO (sigla para Primárias, Abertas, Simultâneas e Obrigatórias), foram instituídas em 2009, para, em tese, dar a oportunidade dos eleitores escolherem os nomes que vão sair candidatos por cada partido. Mas em muitos pleitos desde então não ocorreram disputas reais, com candidatos sendo geralmente apenas ratificados nesta etapa do processo. 

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Neste ano, o candidato da ultradireita - frequentemente comparado a Jair Bolsonaro - Javier Milei, da coalizão A Liberdade Avança deve ser oficializado.

Pela coalizão peronista União pela Pátria, concorrem o atual ministro da Economia, Sergio Massa, com Juan Grabois. Já pela Juntos por el Cambio, disputam uma vaga os pré-candidatos Horacio Larreta e Patricia Bullrich, ex-ministra de Segurança no governo de Macri. 

Pesquisa de intenção de voto divulgada no final de junho, realizada pela CB Consultora, indicava que Massa liderava com 24% da preferência. Bullrich e Milei teriam 17% cada, e Larreta, 16%, percentuais que indicam empate técnico. 

Edição: Rodrigo Durão Coelho