INICIATIVA OCIDENTAL

Conferência de Jeddah sobre a guerra na Ucrânia tem rumo incerto sem a participação da Rússia

Plano do presidente Zelensky envolve a retirada russa de todos os territórios ucranianos, incluindo a Crimeia

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Presidente mexicano Andrés Manuel López Obrador (AMLO) - Xinhua

O presidente mexicano, Andrés Manuel López Obrador (AMLO), disse a repórteres na segunda-feira, 31 de julho, que seu país não participará da próxima conferência sobre a guerra na Ucrânia, marcada para o final desta semana em Jeddah, na Arábia Saudita, porque a Rússia não foi convidada.

AMLO disse que “se houver aceitação tanto da Ucrânia como da Rússia para procurar soluções a fim de alcançar a paz, vamos participar”, acrescentando que “não queremos que a guerra Rússia-Ucrânia continue, é muito irracional” e “a única que se beneficia disso é a indústria da guerra”. 

Segundo relatos, a Arábia Saudita deve realizar a conferência patrocinada pela Ucrânia e seus aliados ocidentais nos dias 5 e 6 de agosto. A conferência visa obter um apoio mais amplo para o chamado plano de paz do presidente ucraniano, Volodymyr Zelensky, apresentado em dezembro do ano passado durante sua visita aos EUA.

O plano de Zelensky exclui qualquer conversa com a Rússia e exige a retirada completa de suas tropas de todos os territórios ucranianos, incluindo a Crimeia. Também pede à Rússia que pague reparações de guerra e enfrente julgamentos em um tribunal militar por supostos crimes de guerra antes que qualquer negociação possa ocorrer.

Espera-se que cerca de 30 países participem do encontro, incluindo delegações dos EUA, UE, África do Sul, Brasil, Indonésia, Egito, Chile e Zâmbia.

A Ucrânia já deixou claro que a Rússia não será convidada para o encontro, informou a Reuters. Enquanto isso, a Rússia disse que não se opõe às negociações em Jeddah, mas afirmou que não pode haver paz na Ucrânia sem sua participação. Também rejeitou completamente a proposta de Zelensky, chamando-a de irreal e delirante.

Reiterando que a Rússia sempre esteve aberta para negociações, a porta-voz do Ministério das Relações Exteriores russo, Maria Zakharova, disse na segunda-feira que seu país espera que as negociações em Jeddah façam os participantes perceberem que “o plano de Zelensky não tem perspectivas”.

Zakharova enfatizou que a Rússia nunca disse não às negociações de paz com a Ucrânia e que recebeu cerca de 30 propostas diferentes de paz de vários países e indivíduos. Zakharova reiterou que “várias [rodadas] de conversas ocorreram” entre representantes ucranianos e russos antes "deles [ucranianos] pararem de responder” sob pressão ocidental.    

A Rússia alega que o Ocidente não quer que a Ucrânia chegue a um acordo de paz. Durante sua reunião com representantes africanos em junho, o presidente russo, Vladimir Putin, afirmou que os dois países estavam prestes a chegar a um acordo durante as conversas em Istambul realizadas no ano passado, antes que a Ucrânia repentinamente decidisse se retirar sob pressão ocidental.

Houve duas grandes tentativas de reativar as negociações entre a Rússia e a Ucrânia desde o colapso em abril de 2022. As propostas de paz apresentadas pelos chineses em abril e por vários países africanos em junho não conseguiram reiniciar as negociações.