São Paulo

Artigo | Tarcísio, o bolsonarista raiz

Ele nega, mas alimenta a mesma matilha faminta por uma ideologia calcada no ódio e no rancor

São Paulo (SP) | |
Tarcísio parece querer fazer de São Paulo um abrigo de derrotados vingativos, raivosos e ressentidos - José Cruz/Agência Brasil

Ao entregar a área social de seu governo para os evangélicos, Tarcísio se afasta de sua promessa de se aproximar de técnicos para se aliar ao que há de mais atrasado e reacionário no mundo de hoje.

Os evangélicos fundamentalistas que estão com o governador eleito de São Paulo constituem boa parte dos golpistas que acamparam na frente dos quartéis e têm protagonizado cenas hilariantes e, ao mesmo tempo, dramáticas. São todos oriundos das hostes bolsonaristas.

Seus líderes são pessoas que escarnecem do Deus bíblico de bondade, solidariedade e caridade. Acreditam sim em um Deus vingativo, invejoso, guloso por verbas públicas e que quer, acima de tudo, o “seu tudo”, entendendo-se aí as verbas públicas para que, “em nome de Deus”, possam engrossar seus patrimônios particulares. Oh, glória! Aleluia!

Até mesmo o canalha e inescrupuloso deputado estadual Frederico D’Avila (PSL-SP) que fez uma série de ataques ao arcebispo de Aparecida, Dom Orlando Brandes, à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e ao Papa Francisco está na transição de Tarcísio. O parlamentar chamou os religiosos de “safados”, “vagabundos” e “pedófilos”. Deveria estar tendo que responder por quebra de decoro e ter seu mandato cassado, mas é convidado especial do governador.

Essa gente não tem pudor, outro credo senão o da própria prosperidade. Hipócritas diplomados, na maioria das vezes fazem exatamente o contrário do que proclamam fazer em nome de Deus, haja visto a assassina condenada Flordelis, ícone desse mundo de ilusionistas da fé.

Tarcísio está de olho nessas ovelhas dispostas a serem tosquiadas. Sabe que seus pastores controlam o rebanho com cajado pesado e aceitam qualquer papel que lhes seja confiado, até mesmo ir contra a Constituição e tramar contra a democracia.

São os traidores da Constituição que Tarcísio quer trazer para São Paulo. Anuncia que não é “Bolsonarista raiz”, mas alimenta a mesma matilha faminta por uma ideologia calcada no ódio e no rancor.

Os jornais publicam que PMs foram flagrados assassinando uma pessoa desarmada, crime que só foi possível de se saber por conta das imagens das câmeras dos policiais, as mesmas câmeras que querem retirar do equipamento obrigatório dos policiais. Sabemos que Tarcísio foi o personagem principal daquela pantomima na favela que visava criar um factóide político com o candidato posando de vítima da violência” em um atentado.

Deu-se mal. Sua mentira tem perna curta e foi desmascarado pelas câmeras. Talvez venha daí o seu ódio a elas. Sem esse equipamento, os dados estatísticos o mostram, teremos mais mortes, mais execuções e até mesmo os próprios policiais estarão mais vulneráveis em suas ações.  

Diferentemente do que apregoava – ser um técnico -, passou a incorporar em seu gabinete de transição até ex-PM para tratar da “Agricultura e Abastecimento”. Enquanto São Paulo precisa de gente competente para alavancar a agricultura do maior centro consumidor de alimentos da América Latina, Tarcísio coloca no posto simplesmente quem se apresente como “bolsonarista raiz”

Tarcísio parece querer fazer de São Paulo um abrigo de derrotados vingativos, raivosos e ressentidos. Será que quer transferir para São Paulo o “Gabinete do Ódio”? Já começaram os encontros com a família Bolsonaro, ávida por abrigo em ninho paulista. Tem muita gente com a mãos sujas de sangue nessa “transição” da civilização para a barbárie. 

Quando a Segunda Guerra mundial acabou houve uma caçada humana aos criminosos nazifascistas responsáveis por tantas desgraças que se abateram sobre a humanidade, inclusive o holocausto. Muitos desses bandidos vieram para a América do Sul, entraram na sociedade e contribuíram para montar o que hoje são chamadas de “células nazistas”.

Essa gente é terrorista e despreza a democracia. Estão nos acampamentos golpistas que impedem o ir e vir e não têm pudor de impedir a operação de uma criança. O ódio está no DNA dessa gente. Tarcísio oferece o Estado de São Paulo como abrigo para os fascistas de todo tipo, assim como América do Sul serviu de abrigo aos fugitivos nazistas.

O governador eleito de São Paulo começa mal. Quer fazer do Estado um abrigo de fascistas antidemocráticos? Se seguir esses passos terá vida política curta por estas terras. Colocando bolsonaristas de primeira hora em sua equipe desmente o que disse sobre não ser um “bolsonarista raiz”. Essa parece ser mais uma fake news. Talvez aquele tal gabinete já esteja funcionando por aqui. 

*Enilson Simões de Moura, o  Alemão é vice presidente nacional da UGT

**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

 

 

Edição: Rodrigo Durão Coelho