Brasília

Senado instala CPI da Braskem em meio a disputa entre Lira e Renan Calheiros

Ficou em suspensa a decisão sobre a relatoria da comissão, para a qual nome mais forte é o do senador emedebista

Brasil de Fato | Brasília (DF) |

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Vídeo revela o momento em que parte da mina 18 da Braskem se rompe na lagoa Mundaú - Reprodução/ Prefeitura de Maceió

Foi instalada nesta quarta-feira (13), no Senado, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Braskem, destinada a apurar o caso da mina de sal-gema da empresa que desde o início deste mês ameaça bairros de Maceió (AL). O colegiado fez uma reunião inicial para eleger o presidente e o vice-presidente do grupo, cargos para os quais foram escolhidos os senadores Omar Aziz (PSD-AM) e Jorge Kajuru (PSB-GO), respectivamente.

Como o Congresso Nacional já se aproxima do recesso parlamentar, que inicia após o dia 22, a tendência é que a CPI só comece a operar de fato no próximo ano. Ficou em suspensa a decisão sobre a relatoria da comissão, para a qual o nome mais forte é o de Renan Calheiros (MDB-AL), parlamentar que articulou a criação do colegiado por meio da coleta de assinaturas e da apresentação do requerimento dirigido à presidência da Casa.   

Do ponto de vista político, o caso Braskem atiçou ainda mais o antagonismo entre Calheiros e o presidente da Câmara dos Deputados, Arthur Lira (PP-AL). De um lado, o senador é pai do ex-governador de Alagoas e atual ministro dos Transportes, Renan Filho, bem como tem forte relação com o atual governador do estado, Paulo Dantas (MDB). Além de ter interesse na CPI, Renan responsabiliza a mineradora pelos problemas gerados pela empresa. De outro lado, Lira é parceiro político do atual prefeito de Maceió, Joao Henrique Caldas (PL), e ambos se opõem à ideia de instalação da comissão.  

Entenda

O caso da mineradora ganhou as manchetes nas últimas semanas por conta dos riscos impostos ao meio ambiente e à população da capital alagoana. Ao longo do tempo, a tragédia vem causando afundamento do solo, rachaduras em imóveis e ruas, deslocamento de famílias e prejuízos ao comércio, entre outros problemas. No último domingo (10), a Defesa Civil confirmou o rompimento de uma parte da estrutura da mina, o que chamou ainda mais atenção para o perigo oferecido pela companhia.  

“É isto que todos nós queremos: investigar esse fato grave do município de Maceió, uma tragédia ambiental que deslocou centenas de milhares de famílias e precisa de uma reparação por parte dos culpados, sobretudo, a meu ver, a própria empresa, a Braskem, que deve ser chamada à responsabilidade”, disse Omar Aziz nesta quarta.

A situação tem sido acompanhada por diferentes instâncias do poder público. Governo federal, Ministério Público de Alagoas (MP-AL), Ministério Público Federal (MPF), Defensoria Pública da União (DPU) e Defensoria Pública de Alagoas estão entre eles.

Edição: Rebeca Cavalcante