Fraternidade e Fome

Ações de combate à fome no Ceará são anunciadas no lançamento da Campanha da Fraternidade

Alece vai adquirir e doar os kits de cozinha industrial para entidades e associações que distribuem refeições

Brasil de Fato | Fortaleza (CE) |
Ações de combate à fome no Ceará e a Campanha da Fraternidade 2023 foram debatidas na Assembleia Legislativa do Ceará - Amanda Sobreira

A Assembleia Legislativa do Ceará vai doar 100 kits para estruturar as cozinhas comunitárias que já atuam na distribuição de refeições para os mais vulneráveis no Ceará. O anúncio foi feito pelo presidente da Alece, deputado estadual Evandro Leitão (PDT), durante o lançamento da campanha da Fraternidade 2023, que traz o tema “Fraternidade e Fome” e o lema “Dai-lhes vós mesmos de comer”.

O Instituto de Estudos e Pesquisas Sobre o Desenvolvimento do Estado do Ceará (Inesp) está estabelecendo os critérios e estudando a situação no estado para subsidiar a criação do Projeto de Lei que autorize a Assembleia a adquirir e doar os kits e assim fortalecer as unidades produtoras de refeição. Para o presidente da casa, a união de todos os poderes é fundamental para combater a fome no estado e em todo o país. É importante que o poder legislativo se junte aos outros poderes, ao Governo Federal para ajudar os irmãos cearenses, que muitas vezes não tem um prato para comer. E nós, como poder legislativo, estamos tentando contribuir para uma sociedade menos desigual”, ressaltou o parlamentar.

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O evento atendeu uma solicitação conjunta dos deputados Missias Dias (PT) e Renato Roseno (PSol) e reuniu no Plenário 13 de Maio, deputados, vereadores, representantes da CNBB, das pastorais sociais, comunidades e entidades participantes da campanha, além do Grupo de Trabalho de Combate à Fome do Governo do Estado do Ceará. Durante sua fala, o deputado Missias Dias, representante do Movimento dos Trabalhadores e Trabalhadoras Rurais Sem Terra, relembrou a trajetória da sua família ao se livrar da fome, graças às iniciativas promovidas pelo MST. “Se eu estou aqui alimentado e saudável foi por causa dos trabalhadores do campo e da solidariedade da sociedade. Esse é o sentimento que quero trazer hoje, de dar as mãos e dividir o que temos para resolver o problema da fome de maneira imediata e construir projetos para que a gente possa resolver de uma vez por todas, esse problema que nos atinge”, destacou.

O deputado Renato Roseno citou as cozinhas comunitárias e solidárias como iniciativas fundamentais para o combate à fome nos últimos anos. O parlamentar também relembrou o descaso do Governo de Bolsonaro, que fez o Brasil voltar para o Mapa da Fome e destacou as iniciativas da Assembleia para resolver a questão no Estado. “O fato do maior produtor de alimentos do mundo tem 33 milhões de pessoas passando fome e isso é fruto de um processo político e econômico de exclusão e desigualdade do governo Bolsonaro. Nós reconhecemos, valorizamos e nos comprometemos a ampliar esse trabalho social, político e econômico realizado pelas cozinhas solidárias”, afirmou.

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A fala foi ratificada pelo Padre Magalhães, representante da CNBB. O sacerdote lembrou que toda a sociedade, independente de religião, é responsável pelos problemas sociais que assolam o país. "Nosso país exporta milhões de toneladas, mas falta aqui. Como admitir uma realidade tão cruel?", indagou.

A primeira dama do Estado, Lia Freitas, que coordena o GT do Programa Ceará Sem Fome, disse que o Grupo realizou um grande diagnóstico, ouvindo entidades e associações engajadas na distribuição de alimentos para que o Programa alcance todas as regiões do Ceará com a Rede de Unidades Sociais Produtoras de Refeição e que famílias em extrema pobreza sejam contempladas com o cartão alimentação. “O Governo irá lançar o edital para credenciamento das entidades, o governo vai doar os gêneros alimentícios e a Alece vai incrementar o programa entregando os kits de cozinha”, afirmou a primeira dama. 

Militante do Movimento das Trabalhadoras e Trabalhadores por Direitos (MTD) e voluntária na cozinha comunitária do bairro Bela Vista, Bruna Raquel avalia que as iniciativas irão fortalecer as cozinhas que trabalham voluntariamente para atender a população. “A gente acredita que os projetos vão profissionalizar as cozinhas populares no sentido de equipá-las e isso vai possibilitar que a gente atenda e alimente mais pessoas, pois tudo é feito com afeto, mas de maneira artesanal”.

Fonte: BdF Ceará

Edição: Camila Garcia