eleições 2022

No terceiro debate ao governo de SP, Haddad, Freitas e Garcia duelam de olho no segundo turno

Com liderança consolidada do petista, candidatos à direita tentam conquistar indecisos para avançar na disputa

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Da esquerda para a direita: Rodrigo Garcia (PSDB), Fernando Haddad (PT), Vinicius Poit (Novo), o apresentador Carlos Nascimento, Elvis Cesar (PDT) e Tarcísio de Freitas (Republicanos) - Reprodução / YouTube

Protagonistas de uma das disputas mais acirradas na atual corrida eleitoral no país, os candidatos Fernando Haddad (PT), Tarcísio de Freitas (Republicanos) e Rodrigo Garcia (PSDB) foram, mais uma vez, as estrelas de um debate entre os postulantes ao governo de São Paulo. O encontro, promovido pelo SBT em parceria com Grupo Estado, Terra, Veja e Nova Brasil FM no início da noite deste sábado (17), teve ainda os candidatos Vinicius Poit (Novo) e Elvis Cezar (PDT).

Líder das pesquisas, Haddad procurou mostrar um perfil ponderado desde o início do debate, quando citou os períodos em que foi prefeito da capital paulista e ministro da Educação, além de destacar a busca por diálogo com parlamentares e com o Judiciário. 

Atrás de uma vaga no segundo turno, Tarcísio, que viu Garcia se aproximar na última rodada da pesquisa Datafolha, buscou associar sua imagem à do presidente Jair Bolsonaro (PL), enquanto o tucano, atual ocupante do Palácio dos Bandeirantes, mais uma vez tentou se descolar do ex-governador João Doria (PSDB), de quem foi vice.

Em um dos momentos de embate direto entre Tarcísio e Garcia, que buscam os votos do eleitor à direita, eles divergiram sobre o uso de câmeras nos uniformes de policiais, medida que reduziu a letalidade nas ações das forças de segurança – tanto de agentes quanto da população. Perguntado pela jornalista Simone Queiroz, do SBT, o candidato do Republicanos disse que pretende mexer no projeto, caso eleito.

"Toda política pública tem que ser avaliada, tem que ser revista. Tem que olhar não apenas pela letalidade. Tem que olhar à luz de outros indicadores, inclusive produtividade", disse o candidato bolsonarista, que afirmou ainda que pode haver taxas maiores de outros tipos de crimes.

Convidado a comentar a resposta, Garcia disse que as câmeras protegem os policiais ao gravar imagens de criminosos. Ele afirmou que vai manter o projeto caso vença a eleição, e prometeu ampliá-lo com a instalação de câmeras inteligentes em viaturas para identificar automaticamente placas de veículos roubados.

Em dois momentos do debate, Tarcísio criticou Garcia por ter minimizado falta de professores na rede pública do estado. Em sabatina na Bandnews, em junho, o atual governador foi perguntado sobre o fato de 22% das aulas programadas na rede pública não terem sido dadas, e disse: "vamos olhar o copo meio cheio. Se tem 22% de aulas não dadas, tem 78% de aulas dadas".

Garcia x Haddad

Houve momentos de embate direto também entre Garcia e Haddad. Enquanto o atual governador citou obras de mobilidade em andamento e prometeu entregar 35 quilômetros de novas linhas de transportes sobre trilhos, o petista lembrou realizações do tempo de prefeito, como a criação de corredores de ônibus, e disse que vai acelerar as obras do metrô, sistema que é administrado pelo governo estadual em São Paulo.

Haddad lembrou, ainda, que o governo de Doria e Garcia congelou o salário mínimo estadual, e prometeu rever a política econômica, criticando, ao mesmo tempo, a administração estadual e o governo federal, do qual Freitas faz parte.

"Estamos vivendo uma situação econômica que pensa pouco na base da pirâmide. Pensa em cima. Quando é o caso de reduzir ICMS de querosene de avião, alguém lembra dos milionários que têm jatinho. Quando é pra garantir passe livre para o idoso a partir dos 60 anos, as pessoas esquecem, e passam pra 65", disse o petista.

Violência contra Vera Magalhães volta à pauta

Outro ponto tenso para o candidato bolsonarista foi após uma pergunta da jornalista Clarissa Oliveira, da revistaVeja, sobre ataques de partidários do presidente a mulheres. O assunto ganhou ainda mais destaque na disputa eleitoral depois que o deputado estadual Douglas Garcia, companheiro de partido de Freitas, assediou a jornalista Vera Magalhães nos bastidores do debate promovido pela TV Cultura no último dia 13.

"Repudio qualquer ataque às mulheres. Repudiei veementemente o que aconteceu no debate da TV Cultura", disse, sem citar, porém, os frequentes ataques de Bolsonaro ao público feminino.

Em cima da hora

Em um encerramento corrido do debate por causa da proximidade com o início da propaganda eleitoral gratuita, o apresentador Carlos Nascimento informou aos candidatos que cada um teria 50 segundos, e não um minuto, como previsto, para as considerações finais.

Escolhido por sorteio para abrir a última rodada de intervenções, Poit falou sobre a relação de seu pai, Wilson Poit, com Fernando Haddad, de quem foi secretário de governo quando o petista ocupou a prefeitura.

"Eu faço questão de contar pra vocês aqui: um homem que veio da roça, nasceu, não tinha nem luz elétrica, trabalhou duro", falou sobre o pai. "Não trabalhou pro PT, trabalhou pra São Paulo, assim como trabalhou para outros prefeitos também", disse.

Ex-prefeito de Santana do Parnaíba, na região metropolitana da capital paulista, Elvis Cezar citou o companheiro de partido na corrida pela presidência, Ciro Gomes, apenas nas considerações finais.

"Desculpa a sinceridade. O debate tem me cansado, eu estou vendo só conversa fiada. Quero pedir uma oportunidade pra ser o governador de São Paulo, pois eu já entreguei resultado aqui nesse estado. Fiz a melhor educação de São Paulo, o melhor sistema de saúde, a maior geração de emprego", afirmou.

Ao se despedir, Haddad voltou a falar em governar para os mais pobres, e reforçou a parceria com o ex-presidente e candidato a voltar ao Planalto, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), que também é líder nas pesquisas eleitorais.

"Nada vai funcionar se a gente não olhar pra base da pirâmide. É ela que está hoje sofrendo com as políticas econômicas do governo federal e estadual. Temos que ampliar o orçamento dessas famílias", disse. "Foi isso que aprendi com o presidente Lula, tanto no ministério da Educação quanto na prefeitura de São Paulo: fazer por quem mais precisa".

Na última intervenção, Tarcísio também falou sobre a parceria com seu padrinho político, Jair Bolsonaro, e disse que "o trabalho nos aproxima de Deus".

"Eu tenho compromisso com cada pai, com cada mãe, com cada trabalhador, cada trabalhadora. Não sou político profissional, não sou teórico, sou engenheiro. Vivi no campo, aprendi com os mais humildes, aprendi a tirar projetos do papel", resumiu.

Ao encerrar o debate, Garcia tentou se afastar da "nacionalização" do debate e destacou a experiência política.

"Sou governador de São Paulo há cinco meses, mas estou há 27 anos trabalhando e 'ralando' por esse estado. Vi várias conquistas acontecerem e hoje nós temos o melhor estados do Brasil. Estou aqui para garantir que essas conquistas não andem para trás", concluiu.

Edição: Glauco Faria