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Trabalhadores de loja da Apple criam primeiro sindicato de funcionários da empresa nos EUA

Fato representa importante vitória em um país que não coloca limites à ação antissindical das empresas

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
Sindicalização de trabalhadores de loja é inédita para funcionários da Apple nos Estados Unidos - Johannes EISELE / AFP

Os funcionários de uma loja da Apple na cidade de Towson, no estado de Maryland (EUA), criaram o primeiro sindicato que reúne trabalhadores e trabalhadoras da gigante da tecnologia Apple no país. A proposta de sindicalização recebeu o voto de 65 dos 110 funcionários da loja. 

Com a decisão, os funcionários da loja criarão uma representação local do sindicato dos operadores de máquinas (IAM), um dos maiores e mais diversos do país. Os trabalhadores reivindicam participação em decisões sobre salários, horário de trabalho e medidas de segurança.

A votação ocorreu após uma campanha pela sindicalização organizada por um grupo de funcionários chamado Apple Core (sendo "Core" uma sigla em inglês para "coalizão de funcionários organizados do varejo"). "Conseguimos, Towson! Vencemos a votação pela sindicalização! Obrigado a todos que trabalharam tão duro e a todos que apoiaram! Agora nós celebramos... Amanhã, seguiremos organizando", disse a entidade no Twitter. 

Robert Martinez, presidente do IAM, elogiou a "coragem" dos funcionários da Apple e disse que a vitória representava a "demanda crescente por sindicatos nas lojas da Apple e em diferentes setores da economia em toda a nossa nação". A empresa não comentou a decisão. 

A diretora de recursos humanos da Apple, Deirdre O'Brien, visitou a loja de Towson em maio, quando afirmou que um sindicato "complicaria" a relação entre a empresa e seus funcionários ao atuar como "mediador". 

Empregados de uma loja da empresa em Atlanta chegaram a discutir a possibilidade de sindicalização, mas retiraram a proposta em maio, alegando que estavam sendo intimidados. 

Patrões sem freios

Práticas antissindicais são um problema comum nos Estados Unidos, com empregadores agindo contra a organização dos empregados. No Brasil, esse tipo de conduta é proibido por lei, o que não ocorre nos EUA. 

O presidente Joe Biden adotou desde o início de seu mandato um discurso pró-sindicatos, que são sua base política de origem. Um ponto fundamental foi o pedido feito ao Congresso dos EUA para que aprovasse a Lei de Proteção ao Direito de Organizar (PRO-Act), que muda a Lei Nacional de Relações Trabalhistas e cria barreiras para a ação antissindical dos patrões. A lei foi aprovada pela Câmara dos Deputados dos EUA no ano passado, mas ainda está pendente no Senado. 

Enfraquecidos ao longo das últimas décadas, os sindicatos têm alcançado vitórias simbólicas recentemente. Em 1º de abril, trabalhadores da Amazon criaram o primeiro sindicato de empregados da gigante do comércio digital, superando forte pressão da empresa. 

Além disso, trabalhadores de duas lojas da rede Starbucks em Buffalo, no estado de Nova York, aderiram a um sindicato em dezembro passado.

Com informações da DW

Edição: Nicolau Soares