Uma família da comunidade do Jacarezinho, na zona norte do Rio de Janeiro, voltou a viver em sua própria casa, depois que o imóvel foi invadido e tomado por policiais militares, em janeiro deste ano, após o lançamento do Cidade Integrada, programa criado pelo governador do estado, Cláudio Castro (PL) e semelhante às UPPs.
Na época, a família denunciou a invasão às autoridades do estado. Em vídeos postados nas redes sociais, um dos moradores da casa relata que objetos foram roubados pelos agentes da Polícia Militar e que móveis e gavetas foram abertas e reviradas. Nas imagens, é possível ver muitos objetos fora do lugar e jogados no chão.
Segundo uma das moradoras, que procurou a Defensoria Pública, os policiais roubaram desde itens menores, como frascos de perfumes, até botijão de gás, televisão e fogão. A família não retornou à casa na época da invasão por medo de represálias da polícia. A Defensoria informou que a prática não é isolada e que já recebeu diversas denúncias de invasão desde o início do Cidade Integrada.
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Segundo o Ministério Público do estado (MP-RJ), que também constatou a entrada indevida após inspeção do local com os moradores, os policiais pertencem ao Comando do Batalhão de Choque (BPChq) da Polícia Militar e haviam alegado que usariam a casa para descanso por três meses, em detrimento do serviço de patrulhamento que eles deveriam realizar na comunidade.
No fim de março, a Defensoria Pública do Rio (DP-RJ) encaminhou o caso ao MP-RJ, que tomou os depoimentos das vítimas. Os PMs já foram identificados e qualificados no crime, que poderão ser invasão de domicílio, descumprimento de missão por deixar de executar as tarefas para permanecer na residência e furto.
A partir da próxima semana, os autos do inquérito policial militar serão remetidos à 2ª Promotoria de Justiça junto à Auditoria da Justiça Militar para análise acerca do oferecimento ou não da denúncia.
Fonte: BdF Rio de Janeiro
Edição: Eduardo Miranda