Basta!

Aprenda para nunca mais dizer: 3 frases que parecem ingênuas, mas alimentam o racismo

Aproveite o Dia da Consciência Negra para refletir sobre o signficado de suas palavras

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |
O Dia da Consciência Negra é uma tentativa de, ao menos uma vez no ano, estimular um debate sobre as desigualdades e celebrar a contribuição do povo negro para a cultura, a ciência, a economia e a política do Brasil - Arquivo EBC

Nem só de injúria racial e piadas discriminatórias vive o racismo.

O sentimento de aversão a negros e indígenas, muitas vezes, é verbalizado com frases que parecem inocentes, mas escondem uma provocação de teor racista.

Brasil de Fato separou três delas, que provavelmente você já ouviu de amigos, conhecidos ou familiares.

Se você já disse alguma delas, aproveite mais este Dia da Consciência Negra para refletir sobre o sentido de suas palavras, e a quem elas podem ofender.

“Isso é racismo reverso”

A expressão é geralmente usada por pessoas brancas que desconhecem a história do Brasil ou que não aceitam perder seus privilégios.

O contrário de racismo não é “racismo reverso”, mas antirracismo, e é isso que o movimento negro defende.

Cotas para entrar na universidade ou no mercado de trabalho são uma tentativa de minimizar a segregação econômica e a criminalização dos povos negro e indígena, que se mantêm até hoje, após 300 anos de escravidão.

Essas políticas reduzem a desigualdade, mas são insuficientes para compensar séculos de injustiça.

“Eu não sou racista. Tenho até amigos negros”

A negação do racismo como elemento estrutural do Brasil impede o reconhecimento da desigualdade e a elaboração de políticas de inclusão.

Ter amigos, conhecidos, avós, vizinhos, namorada e, muito menos, empregada doméstica negra não garante que você seja antirracista. Os negros são 56% da população – estranho seria se você só conhecesse pessoas brancas.

O mero convívio ou a relação de afeto com um indivíduo não significa a compreensão das desigualdades que a população negra, em seu conjunto, enfrentam diariamente.

“Por que Dia da Consciência Negra, e não da consciência humana?”

Quem pede a substituição do Dia Consciência Negra por “consciência humana” defende que não haja sequer um dia de debate e reflexão sobre o racismo.

A pergunta soa ingênua, mas reflete um negacionismo sobre os danos causados pela escravidão. Se a “consciência humana” bastasse, 4,8 milhões de africanos não teriam sido transportados à força para o Brasil e vendidos como escravos e os negros não seriam as vítimas em 75% dos casos de morte em ações policiais.

O Dia da Consciência Negra é uma tentativa de, ao menos uma vez no ano, estimular um debate sobre essas desigualdades, além de celebrar a contribuição do povo negro para a cultura, a ciência, a economia e a política do Brasil.

Edição: Thales Schmidt