Auxilio Calamidade

Campanha propõe pagamento de salário mínimo por dois anos para vítimas de tragédias climáticas

Mais de 50 entidades sugerem que governo federal crie reserva permanente para ajudar afetados de modo rápido e eficaz

Brasil de Fato | Porto Alegre (RS) |
Campanha propõe pagamento, pelo período de dois anos, de R$ 1.400, além de R$ 150 por cada criança ou adolescente pelo qual o beneficiário for responsável - Foto: Jorge Leão

Mais de 50 entidades civis lançaram, nesta segunda-feira (13), uma campanha para propor ao governo federal a criação do "Auxílio Calamidade Climática", por meio do qual seria garantido um salário mínimo pelo período de dois anos às vítimas de emergências climáticas, a exemplo das enchentes que assolam o Rio Grande do Sul neste momento.

O auxílio está sendo definido pelos proponentes como uma "reserva de emergência permanente", a fim de "ajudar as populações afetadas de modo mais rápido e eficiente", sempre que eventos extremos ligados ao clima ocorram no país.

Segundo estimativas dos idealizadores da campanha, se a política para calamidade estivesse ativa hoje, o investimento para socorrer as vítimas das enchentes do Rio Grande do Sul que se enquadram no perfil da proposta seria de R$ 59 bilhões na soma dos dois anos, além de beneficiar 120 mil negócios sociais com um total de R$ 2,4 bilhões na soma dos 24 meses.

A iniciativa surgiu pela Plataforma dos Movimentos Sociais por Outro Sistema Político, idealizadora do site onde estão sendo coletadas assinaturas e adesões de outras instituições em defesa da proposta.

“A proposta desta campanha é construir uma política pública para ser acionada em casos de calamidades climáticas. Uma política com instrumentos, critérios de acesso e orçamento. Isso evita que a cada evento o governo tenha que ficar dias discutindo o que fazer. Nesses casos, a agilidade, a transparência dos critérios de acesso e, principalmente, informação para os atingidos de como acessar é fundamental”, explica José Moroni, do Instituto de Estudos Socioeconômicos (Inesc), que integra a coordenação da Plataforma, que reúne mais de 140 organizações.

Valores propostos

A proposta do Auxílio Calamidade Climática prevê o pagamento, pelo período de dois anos, de R$ 1.400 mensais, além de R$ 150 por cada criança ou adolescente pelo qual o beneficiário for responsável.

O auxílio seria concedido por CPF e somente a pessoas com idade acima de 18 anos e renda individual de até cinco salários mínimos (ou R$ 7.050). O pagamento aconteceria via Cadastros dos Sistemas Públicos (CadÚnico, Cartão SUS, INSS), ou seja, sem necessidade de construir novo cadastro. 

O Auxilio Calamidade Climática também incluiria os chamados “empreendimentos solidários”, isto é, organizações coletivas, como associações, cooperativas, empresas autogestionárias, grupos de produção, geralmente liderados por mulheres, mulheres negras, indígenas, catadoras/es, pessoas com deficiência e demais segmentos da sociedade em situação de vulnerabilidade, além da agricultura familiar e ecológica.

Para esse grupo, haveria uma parcela única de R$ 20.000, pagos por meio de cadastros da Secretaria Nacional de Economia Solidária (Senaes) do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE) e do Ministério do Desenvolvimento Agrário e Agricultura Familiar (MDA). O acesso a este auxilio não inviabilizaria o acesso ao auxilio individual.


Fonte: BdF Rio Grande do Sul

Edição: Rodrigo Chagas