Homenagem

Margarida Maria Alves é incluída como heroína da pátria no Livro de Aço do Panteão

Reconhecimento foi concedido na mesma semana em que foi realizada a Marcha das Margaridas, que leva a ativista no nome

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Na década de 80, Margarida Alves se tornou a primeira mulher a presidir um sindicato de trabalhadores rurais - CONTAG

A ativista histórica na luta pela terra, Margarida Maria Alves foi incluída no Livro dos Heróis e Heroínas da Pátria. A homenagem foi aprovada pelo Senado e sancionada pelo presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

Exposto no Panteão da Liberdade e da Democracia, na Praça dos Três Poderes, em Brasília, o livro registra o legado de figuras históricas como Tiradentes, Zumbi dos Palmares, Dandara dos Palmares e Zuzu Angel. Dos mais de 60 títulos, menos de 15 foram concedidos a mulheres.

A inclusão de Maria Margarida Alves foi proposta pela deputada federal Maria do Rosário (PT) na Câmara dos Deputados e relatado pelo senador Paulo Paim (PT) e teve aprovação na terça-feira (15). No mesmo dia, começava a 7ª Marcha das Margaridas, maior manifestação de mulheres do campo da América Latina.

O movimento é inspirado na mulher que se tornou símbolo da luta pela igualdade de direitos. Na década de 1980, a ativista se destacou como liderança no Sindicato dos Trabalhadores Rurais de Alagoa Grande, na Paraíba.

Por que Margarida Alves não foge da luta? Legado histórico segue em Marcha há 40 anos

Combativa, a camponesa exigia direitos trabalhistas e denunciava as longas jornadas, a baixa remuneração e o trabalho infantil. Também foi responsável pela implementação de um programa de alfabetização para adultos no sindicato. 

Ao longo de sua trajetória na luta por direitos de trabalhadoras e trabalhadores, a ativista foi alvo de diversas ameaças de latifundiários e feitores. Em 12 de agosto de 1983, ela foi executada com um tiro na cabeça na frente do marido e do filho.

As investigações apontaram que os autores do crime eram ligados ao Grupo Várzea, que reunia proprietários rurais, políticos e servidores públicos. Segundo o Ministério Público, o assassinato da sindicalista envolveu fazendeiros, usineiros, pistoleiros e um policial militar, mas ninguém foi condenado.

Neste ano, a Marcha das Margaridas teve a participação de mais de 100 mil mulheres de todo o Brasil. O presidente Lula esteve no evento e anunciou uma série de medidas em resposta às demandas do movimento. 

 

Edição: Douglas Matos