Minas Gerais

Coluna

O inferno e céu de todo o dia

Imagem de perfil do Colunistaesd
Crédito - Levante Popular da Juventude
Para o amor vencer o ódio, vamos precisar de todo mundo até o dia 30 de outubro

"Uma mentira dita mil vezes torna-se verdade". Essa frase, de autoria de Joseph Goebbels, ministro da propaganda de ninguém menos do que Adolf Hitler, é o cerne do que estamos vivendo e combatendo desde 2018. Desde as últimas eleições presidenciais, vivemos entre o inferno e o céu diariamente na convivência com a indústria de fake news, que garantiu ao inominável presidente uma pseudolegitimidade para o cumprimento de um mandato, que acreditamos estar com os dias contados.

Tem sido assim a vida daqueles e daquelas que militam, trabalham e creem num Brasil para todos e todas. Em plena luta contra a ditadura, o Caetano Veloso compôs “Alegria, alegria” questionando quem seria capaz de ler tanta notícia. O fato é que a nossa tão recente democracia foi tomada por assalto por uma avalanche de notícias falsas, que se tornou um modus operandi.

Isso não pode e não deve nos encher de preguiça, ao contrário, buscamos energia do mais profundo sentimento de amor, compromisso com o Brasil e com o seu povo para lutar por um processo limpo, justo de confronto de ideias e propostas. Mas, o que fazer quando o oponente não tem propostas e nem mesmo capacidade para o confronto de ideias?

:: Receba notícias de Minas Gerais no seu Whatsapp. Clique aqui ::

Chegamos nos dias atuais. Chegamos num dia como segunda, 24 de outubro, quando em Montes Claros, a minha cidade, desmontamos um esquema criminoso de produção e distribuição de material feito de forma apócrifa, descumprindo a lei eleitoral. Não havia identificação obrigatória da legenda, coligação e ou apresentação do CNPJ. O objetivo era um derrame de material em toda a cidade e região na reta final da campanha eleitoral.

Mesmo tipificada como crime a produção e propagação de notícias falsas, mesmo tendo sido pauta de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), as fakes news foram incorporadas ao nosso dia a dia. Neste momento de extrema polarização, é necessário coibir, combater, fiscalizar todo e qualquer processo e movimento de persuasão, por meio da construção de uma narrativa de ódio e intolerância.

A extrema direita em todo o mundo adota como prática a ação truculenta da disseminação de informações falsas, muitas vezes esdrúxulas, para minar e fragilizar a capacidade dos cidadãos e cidadãs de decidir, de compreender e de se posicionar frente a temas delicados e até mesmo tabus. Um processo violento de convencimento.

Penso que vivemos a experiência absurda de nos mantermos de pé, cotidianamente, diante de um tsunami. É isso, estamos desde 2018, enfrentando os efeitos devastadores da violação de direitos e das garantias constitucionais, do enfraquecimento das instituições que defendem o povo e a democracia, e da liberdade de expressão. Estamos desde então, lutando para manter de pé, a nossa soberania, a nossa liberdade no sentido mais profundo.

:: Leia mais notícias do Brasil de Fato MG. Clique aqui ::

Mesmo não se tratando de uma novidade, as fake news permanecem sendo uma ameaça. Um vírus perigoso diante de uma população ainda fragilizada e incapaz de combatê-la. Mas, não é tudo. Ainda espanta, ainda nos causa horror e por isso, exige de nós, todos nós, a máxima atenção e vigília. Estamos mesmo, como descreve a jornalista Patrícia Campos Mello, diante de uma máquina de ódio e da mais violenta guerrilha digital da nossa história.

A esperança já venceu o medo, é fato. Mas, para o amor vencer o ódio, vamos precisar de todo mundo até o dia 30 de outubro. Vamos passar o Brasil a limpo!

Leninha é deputada estadual reeleita pelo PT, é líder da bancada feminina da Assembleia Legislativa de Minas Gerais e vice-presidenta estadual do PT

--

Este é um artigo de opinião e a visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal

Edição: Larissa Costa