após fala vazada

Corregedoria da Câmara de São Paulo aceita abertura de processo contra Cristófaro por racismo

Texto será agora votado por todos os vereadores plenário, sem prazo definido

São Paulo (SP) |

Ouça o áudio:

Processo contra o vereador foi aceito na corregedoria da Câmara da capital paulista - André Bueno / Rede Câmara

A corregedoria da Câmara Municipal de São Paulo decidiu, por unanimidade, aceitar a abertura de processo que pede a cassação do mandato do vereador Camilo Cristófaro (Avante). Cristófaro teve áudio vazado usando a expressão “é coisa de preto” durante sessão híbrida de CPI sobre atuação de aplicativos na cidade, no último dia 3.

O relatório apresentado pela vereadora Eliane do Quilombo Periférico (PSOL) foi aprovado pelos seis vereadores que participaram da reunião da corregedoria nesta quinta-feira (19). Eliane foi uma das primeiras parlamentares a se manifestar contra a fala de Cristófaro no dia em que o registro aconteceu.

“Temos de forma nítida que a fala é racista, alimentadora de estruturas que mantêm a população negra em posição de incompetência e inferioridade, sendo ofensiva a um conjunto indeterminado de pessoas, violentando todas as pessoas negras”, apontou a vereadora durante a leitura do documento.

O texto apresentado por Elaine lembra ainda que o racismo é crime inafiançável e imprescritível. Ela destacou outros episódios em que Cristófaro teve atitudes ou proferiu falas racistas. Em um deles, chamou o também vereador Fernando Holiday (Novo) de “macaco de auditório”.

Antes da leitura do relatório na reunião da corregedoria, manifestantes se reuniram em frente à Câmara Municipal da capital paulista para protestar contra o vereador e pedir a cassação. 

O próximo passo do processo é o encaminhamento da discussão para o plenário, ou seja: todos os vereadores poderão se manifestar sobre o relatório e votar sobre a aprovação dele ou não. Caso o texto seja aprovado pela maioria dos vereadores, o processo volta à corregedoria, que deverá ouvir a defesa do vereador. Não há ainda, porém, previsão sobre quando tudo isso vai acontecer. Entre as penas previstas está, inclusive, a perda do mandato por quebra de decoro parlamentar.

O caso

Camilo Cristófaro participava remotamente de uma sessão da CPI dos aplicativos na Câmara Municipal de São Paulo no último dia 3 de maio, quando vazou a frase "é coisa de preto, né?". O áudio foi identificado como sendo de Cristófaro. 

O vereador confirmou que foi mesmo quem falou a frase, e chegou a negar que estivesse falando de pessoas negras, dizendo que, na verdade, comentava sobre carros de pintura preta. Depois, porém, recuou e disse que estava fazendo "uma brincadeira" com um amigo negro.

No dia seguinte, o PSB, partido ao qual Cristófaro era filiado, anunciou a desfiliação do vereador. Os deputados federais Marcelo Freixo (RJ), Danilo Cabral (PE) e Milton Coelho (PE) entraram com representação na comissão de ética do partido pedindo a cassação. Como o próprio Cristófaro já tinha solicitado a saída dias antes, o processo foi acelerado.

Edição: Rodrigo Durão Coelho