Coluna

Movimentos populares em defesa do Enem

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Caso 2021 tenha o mesmo percentual de abstenção para a realização do ENEM que o do ano passado, serão somente 1,5 milhão de inscritos realizando a prova - Comunicação Campanha Periferia Viva
É momento de resgatar as esperanças do povo brasileiro em um futuro com mais dignidade

O Brasil tem vivenciado um período histórico muito difícil. Desde o início da pandemia, em 2020, o povo brasileiro tem lidado com a perda de milhares de vidas em decorrência da covid-19. Tem enfrentado o aumento do desemprego e dos preços das comidas, a postura autoritária de Bolsonaro e de ministros da Educação que não querem resolver os problemas educacionais do país. Ministros que querem, na verdade, o desmonte do ensino público e de uma educação de qualidade.

A edição 2020 do Enem contou com uma taxa de abstenção na realização da prova de aproximadamente 50%. Um recorde histórico, justificado principalmente pela insegurança sanitária e o reflexo de um distanciamento dos setores populares das atividades escolares no formato virtual. É um fato que aumenta ainda mais a desigualdade educacional.

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A edição deste ano teve a menor taxa de confirmações de inscrição desde 2005, em um total de pouco mais de 3 milhões de candidatos e candidatas. Em 2014, o número de confirmações foi de quase 9 milhões de pessoas. A baixa quantidade de inscrições confirmadas deve-se principalmente à perda do direito à isenção dos candidatos e candidatas que não foram realizar a prova na edição de 2020. 

Com uma taxa alta de R$85,00 para a realização da inscrição do Enem, o povo tem muitas dificuldades em garantir o pagamento do valor frente a outros custos da vida cotidiana que acabam prevalecendo como necessidades básicas. Além disso, há um importante movimento de evasão escolar e poucas condições de acompanhamento dos conteúdos escolares, que já estão em retomada presencial em muitos estados, assim como a perda do vínculo com a educação.

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Dentro deste cenário complexo, ao final da primeira etapa de inscrições do Enem, dos 4 milhões de inscrições, mais de 1 milhão de pessoas não conseguiram efetivar a participação na edição de 2021. O Superior Tribunal Federal obrigou o MEC a reabrir as inscrições, entendendo que a perda do direito de isenção por não ter comparecido à prova na última edição não poderia ser justificada frente ao contexto de realização da prova. A reabertura, feita em setembro de 2021, fez com que somente pouco mais de 200 mil candidatos e candidatas tivessem sua inscrição efetivada. Ou seja, muita gente ainda continua de fora da disputa pelo acesso ao ensino superior. 

Caso 2021 tenha o mesmo percentual de abstenção para a realização do Enem que o do ano passado, serão somente 1,5 milhão de inscritos realizando a prova. Um número absurdo frente a ainda necessária democratização do acesso ao ensino superior. Por isso, é necessário concentrar forças para a realização de uma jornada de aulões, no intuito de animar e resgatar a esperança de milhares de jovens da classe trabalhadora de dias melhores, com e pela educação, reafirmando a mensagem da solidariedade construída pelos movimentos populares. 

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É momento de resgatar as esperanças do povo brasileiro em um futuro com mais dignidade. Porém, esse trabalho demandará muitos esforços e compromisso para poder avançar no trabalho de base e na organização popular. Nesse sentido, A Campanha Periferia Viva convida toda a militância a se somar no processo de construção de uma Jornada de Lutas em Defesa do Enem, sobretudo na organização da 4ª Jornada de Aulões, realizada desde 2017 pela rede de cursinhos populares Podemos+. 

A jornada será construída no ano de 2021 a partir da articulação de uma série de organizações e movimentos sociais que compõem a campanha, que desde 2020 vem mobilizando esforços na construção da solidariedade da classe trabalhadora, que materializa-se neste momento na articulação de diversos territórios. 

A Periferia Viva deseja à todas e a todos um excelente trabalho em cada cantinho desse Brasil, no campo e nas periferias, para que o Enem continue sendo uma importante ferramenta na democratização do acesso e para que a educação brasileira seja tratada com a importância necessária para resolver os problemas do povo. Que a esperança venha do verbo “esperançar” que, para Paulo Freire, não está relacionado com a espera de um futuro melhor, mas sim, com a construção do futuro que virá. 

Viva a educação brasileira! Viva a educação popular!

 

*O Periferia Viva nasce como resposta ao governo genocida com sua política de morte que nos deixou a própria sorte em uma pandemia. A ideia é conectar iniciativas, campanhas e demandas da sociedade que podem contribuir e fortalecer essa rede de solidariedade. Leia outros textos.

**Este é um artigo de opinião. A visão do autor não necessariamente expressa a linha editorial do jornal Brasil de Fato.

Edição: Vivian Virissimo