ORGANIZAÇÃO POPULAR

Grito dos Excluídos: "A democracia nunca esteve tão ameaçada", diz organizadora do ato no PR

O Grito dos Excluídos deste ano reforça a ausência de direitos básicos retirados pelo governo Bolsonaro

Brasil de Fato | Curitiba (PR) |
 “Há 126 milhões de famílias no Brasil que não se alimentam bem.", diz dirigente do MST - Giorgia Prates

A chamada do Grito dos Excluídos de 2021, no 7 de Setembro, reforça a ausência de direitos básicos retirados do povo brasileiro: “Vida em primeiro lugar – na luta por participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda já!”.

Palavra de ordem apropriada num momento em que governos, entre eles Bolsonaro, são indiferentes à morte e, ao mesmo tempo, retiram do povo seus direitos essenciais. O local escolhido para o ato, na Região Metropolitana de Curitiba, é a ocupação Nova Esperança, em Campo Magro, área que abriga perto de 800 famílias, ocupada desde 2020.

Há grande expectativa sobre a data, já que apoiadores de Bolsonaro sinalizam fazer atos confrontando outros poderes da República. Lideranças populares que participaram do programa BDF Entrevista Especial destacaram a importância de, diante disso, reforçar a luta por direitos sociais e organização dos trabalhadores.

“Que seja um grito pela vida, pelo trabalho e pela democracia”, afirma Roberto Baggio, da coordenação estadual do MST.

Silvia Kreuz, articuladora do Grito pela arquidiocese de Curitiba, enuncia o impacto da ausência de política pública de prevenção à pandemia.

“Temos 130 mil crianças órfãs devido às mortes da covid. Nunca houve tantas crianças ficando órfãs em um ano e meio. Todas as pastorais tratam da questão dos Excluídos, das pessoas que têm a sua dignidade e a sua vida menos valorizada. Queremos trazer a questão desse tema todo, a democracia nunca esteve tão ameaçada desde a Constituinte de 88”, relata.

Prevenção contra o autoritarismo

Sobre as ameaças de bolsonaristas no 7 de Setembro, Valdecir Ferreira, integrante do Movimento Popular de Moradia (MPM), um dos organizadores da ocupação em Campo Magro, recorda que, em dezembro de 2018, as ameaças de policiais sobre a área de ocupação 29 de março, infelizmente, se concretizou. Dezenas de casas foram incendiadas.

“Temos que estar preparados para qualquer reação, estaremos nas ruas também, espero que não haja golpe. Temos que ter resistência”, define.

Ele reforça a indiferença, no dia a dia, de gestores e prefeitos em relação à situação das comunidades.

 “Há uma discriminação, os responsáveis pelos municípios pensam que se trouxerem atendimento para a comunidade, água, luz, com isso estariam ‘consolidando a comunidade’. Infelizmente, tem esse preconceito e essa visão fechada. O direito à vida, assistência, saúde vai além, essa visão ainda está faltando para as prefeituras”, critica.

A atual crise fragilizou os trabalhadores, aponta Baggio. “Há 126 milhões de famílias no Brasil que não se alimentam bem.” O centro do problema, para ele, não é a ausência de alimentos no país, mas o fato de empresários e mercado financeiro exportarem e especularem com o preço dos alimentos. A fome, para Baggio, é o principal problema da sociedade brasileira.

Fique por dentro

Grito dos Excluídos

Quando: 7 de setembro, a partir das 9h30

Onde: Comunidade Nova Esperança, centro de Campo Magro

Fonte: BdF Paraná

Edição: Frédi Vasconcelos