Foi realizado nesta segunda-feira (23) o lançamento da campanha do plebiscito popular sobre as privatizações no Rio Grande do Sul. Em Porto Alegre e em diversas cidades do estado. A campanha contará com comitês regionais e municipais, em cada uma das regiões e em diversas cidades.
Miguel Rossetto (PT) que foi candidato à vice-prefeito da capital nas eleições de 2020 falou sobre a PEC extinguiu extingue a necessidade de realização de plebiscito para a venda da Banrisul, da Companhia Riograndense de Saneamento (Corsan) e da Companhia de Processamento de Dados do Estado do Rio Grande do Sul (Procergs).
"Esse plebiscito [popular] abre uma possibilidade do povo gaúcho se posicionar e debater o futuro das nossas empresas e do patrimônio do povo gaúcho, tão importante numa retomada do crescimento. O Banrisul, a Corsan, a CEEE, a Procergs, são empresas que tiveram e terão um papel muito importante na retomada da economia, da geração de emprego e renda", colocou Rossetto.
O petista considera ainda que a privatização da Corsan, neste momento, é inaceitável, visto que é uma empresa lucrativa e que tem capacidade de universalizar o saneamento em todo o estado. A jornalista Eliane Silveira, que faz parte da coordenação do comitê estadual da Campanha, que lembrou que, além de estar ainda no inverno gaúcho, onde já houve temporais e até neve, o estado ainda está "numa fria".
"Por isso, estamos propondo organizar a 'Primavera da Democracia', entre os dias 16 e 23 de outubro, com o Plebiscito Popular, que vai substituir o plebiscito que o governador não quis realizar. Se ele não quis ouvir o povo, azar o dele, o povo vai falar e manifestar sua opinião em outubro", afirmou Eliane. Ela faz referência à retirada da obrigatoriedade de consultar a população no caso de venda de empresas públicas.
A mobilização está sendo chamada de "Primavera da Democracia", pois os comitês regionais irão mobilizar a sociedade para a consulta pública sobre a vendas das estatais que será realizada em outubro. Eliane informou que já existem comitês em todas as regiões do Rio Grande do Sul e que estes agora trabalham para a constituição dos comitês municipais e locais. Ela reforça também que não é necessário qualquer tipo de autorização para realizar reuniões e atividades.
Os interessados em participar e acompanhar ou criar os comitês locais, podem entrar em contato através da página do Facebook da Campanha do Plebiscito Popular. Já está disponível um manual para a constituição dos comitês, com orientações de atividades e formas de organização dos comitês.
A coordenação da campanha informa também que estão marcadas agendas todos os dias e programadas a constituição do Comitê da Região Metropolitana, do Delta do Jacuí, do Vale do Rio Pardo e da Região Norte. Além disso, todas às quartas, às 19h, acontece a reunião online do Comitê Estadual.
Neste sábado (28), haverá a segunda oficina de formação do Plebiscito. Para participar, basta solicitar o link de transmissão através da página do Facebook "Plebiscito Popular RS". A formação será realizada com o economista Marcelo Manzano, com o tema "O Estado Necessário"
A Rede Soberania e o Brasil de Fato RS participaram de uma cobertura colaborativa dos lançamento da campanha:
Ato na capital teve a presença de lideranças sindicais e parlamentares
Em Porto Alegre, o ato de lançamento foi realizado nesta segunda-feira a partir do meio-dia, na Esquina Democrática. Diversas lideranças parlamentares e sindicais, além de militantes de movimentos populares estiveram presentes, realizando falas e distribuindo panfletos.
O ato foi coordenado pelo vice-presidente da CUT-RS, Everton Gimenis. "Nós estamos chamando esse plebiscito de primavera da democracia porque ele vai acontecer de 16 a 23 de outubro. E é muito importante que a gente faça essa primavera porque nós sabemos que as elites do nosso estado e do nosso país não querem ouvir o povo", salientou.
O presidente da CUT-RS, Amarildo Cenci, afirmou que “essa campanha vai ser uma caminhada de muita conversa, pois esse plebiscito tem essa expressão, esse símbolo de disputa de uma opinião sobre como deve funcionar o estado. Mas, além da disputa do papel do estado, é uma ferramenta para desenvolver conexão e relação com a população, que está correndo atrás de um posto de trabalho, de renda, de um prato de comida”.
Para o presidente da Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil do Rio Grande do Sul (CTB-RS), Guiomar Vidor, o Brasil está vivendo um período onde o patrimônio público está sendo entregue praticamente a "preço de banana". Recorda também que o movimento sindical já viveu isso em outro momento da história, durante o governo Antônio Britto (na época no PMDB) e que a situação só piorou, ao invés de melhorar.
Para o deputado estadual Pepe Vargas (PT) o povo precisa debater as privatizações. "Vamos realizar um plebiscito popular para que a população do Rio Grande do Sul possa dizer o que pensa das privatizações. Eduardo Leite disse na campanha que não iria privatizar o Banrisul e o Corsan, mas ele mentiu. Agora é o povo que precisa decidir”.
A vereadora de Porto Alegre Daiana Santos (PCdoB) também esteve presente e se manifestou, comparando as privatizações das empresas públicas do estado com o processo de privatização da empresa pública de transporte urbano da capital, a Carris. "Quem levanta esta pauta não quer dialogar com a realidade, por interesses dos mais escusos. A população precisa entender que os mesmos que hoje não querem dialogar com a população, são os que estarão nas comunidades nas próximas eleições para pedir seu o apoio", ressaltou a vereadora.
Diversas cidades do interior realizaram atividades simultâneas de lançamento
Pelo Interior, diversas cidades onde já está constituído um Comitê local realizaram atividades de lançamento da campanha do Plebiscito. Em Três Passos, por exemplo, começou uma distribuição de panfletos em torno das 11h, na Praça da Matriz.
Em Caxias do Sul, na Serra, o lançamento se deu na Praça Dante Alighieri, onde trabalhadores de diversas entidades organizados no Comitê Municipal da cidade levaram uma faixa e distribuíram panfletos para dialogar com a população. Foi informado que a recepção da população foi muito boa, principalmente entre os jovens.
Em Taquara, na Região Metropolitana, as atividades também começaram pela manhã, em frente à agência do Banrisul da cidade. Os trabalhadores bancários distribuíram panfletos na área que concentra as agências bancárias da cidade, dialogando com a população.
Em Pelotas, devido à forte chuva, os trabalhadores se reuniram na Casa do Trabalhador, local que sedia diversos sindicatos da cidade. Os que estiveram presentes acompanharam o lançamento na Capital e organizaram os próximos passos da mobilização. Também foram registradas atividades em Vacaria e Santana do Livramento.
Fonte: BdF Rio Grande do Sul
Edição: Katia Marko