América Latina

Aos 32 anos, presidente do Senado boliviano exalta papel da juventude contra o golpe

Andrónico Rodríguez participou de fórum organizado pelo Instituto Simón Bolívar, da Venezuela, nesta segunda-feira (16)

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Rodríguez assumiu mandato como senador em novembro - Reprodução / Twitter

"Transmitir a sabedoria e a experiência de luta às novas gerações, como fizemos no Trópico de Cochabamba". Esse foi o compromisso reiterado por Andrónico Rodríguez (MAS), novo presidente do Senado da Bolívia, durante o fórum "Bolívia retoma sua democracia", realizado nesta segunda-feira (16) pelo Instituto Simón Bolívar, da Venezuela.

O Trópico de Cochabamba é o berço político do ex-presidente Evo Morales (MAS) e também de Rodríguez: ambos foram dirigentes de federações de plantadores de coca, planta considerada sagrada pelos indígenas da região.

Aos 32 anos, o novo presidente do Senado ressaltou que a ideia é "construir uma cadeia de responsabilidades, que também envolva idosos, mulheres, e todos os nossos irmãos que desejam reconstruir a pátria com responsabilidade".

"A experiência não se mede por etapa da vida, mas se adquire todos os dias. Precisamos adquirir consciência e assumir responsabilidades no novo momento político que se inicia", ressaltou.

Rodríguez enalteceu, durante o fórum, o papel da juventude boliviana no processo de derrubada do golpe de 2019 e de recuperação da democracia, com a vitória de Luis Arce (MAS) nas eleições presidenciais de outubro.

"Em menos de um ano, restauramos o Estado de Direito e o povo voltou ao poder. Ficamos muito surpresos com os 55% de Arce, e a própria direita ainda não acredita no tamanho da derrota que sofreu nas urnas e nas ruas".

Lições

O chanceler da Venezuela, Jorge Arreaza, que também participou do evento, definiu a resposta do povo boliviano como "um impulso para toda a América Latina."

"Os senhores que usurparam o poder por alguns meses desejavam entregar os recursos naturais, o talento humano e todas as potencialidades da Bolívia ao imperialismo. Mas o povo não permitiu, e o recado está dado", ressaltou.

Arreaza comparou o cenário da Bolívia em 2009 com a tentativa de golpe contra Hugo Chávez na Venezuela, sete anos antes, e ressaltou que "a situação da Bolívia era mais complexa desde os pontos de vista militar e policial".

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"O entorno internacional também foi um agravante, com presidentes de direita que não deram respaldo a Morales. Podemos perdoar isso, mas não podemos esquecer", declarou o chanceler.

Sebastián Michel, embaixador da Bolívia na Venezuela, lembrou, em seguida, o histórico de golpes de Estado na América Latina desde Honduras, em 2009, e propôs uma autocrítica. "Em algum momento, erramos ao permitir isso. E precisamos refletir sobre essa história, para que ela não se repita".

Segundo o embaixador, o enfraquecimento de processos de integração como a União de Nações Sul-Americanas (Unasul) é um dos exemplos. Retomar a unidade entre os países, na visão dele, é um dos caminhos para evitar novos golpes.

Assista a íntegra do debate no canal do Instituto Simón Bolívar ISB

Edição: Leandro Melito