Pernambuco

Coluna

É cedo para falar em uma segunda onda?

Imagem de perfil do Colunistaesd

Ouça o áudio:

25 de março são paulo
A pandemia ainda não acabou e, provavelmente, ainda teremos que lidar com os seus impactos por um bom tempo - Nelson Almeida/AFP
Estamos longe ainda de falar da pandemia como algo que ficou para trás

Estamos distantes ainda de poder falar em fim da pandemia de Covid-19 no Brasil e no mundo. Infelizmente não era disso que queria tratar neste momento de retomada da publicação semanal do nosso jornal Brasil de Fato, mas é preciso lidar com a realidade dos fatos. E estes, os fatos, nos reforçam o que afirmei no início: estamos longe ainda de falar da pandemia como algo que ficou para trás.

A Covid-19 é uma doença sobre a qual seguimos tentando conhecer melhor. Há muito do seus mecanismos de ação, nos indivíduos e nas populações, que precisa ser melhor esclarecido. Entretanto, diferente do início do ano, já acumulamos certos conhecimentos que devem nos permitir agir de forma antecipada no intuito de evitar mortes e sofrimento desnecessários.

Antes de chegar ao Brasil, acompanhamos todo o rebuliço que o novo Coronavírus provocou na Europa. Apesar do negacionismo de Bolsonaro e de boa parte de seu governo, este conhecimento sobre os estragos provocados pela doença nas bandas do velho mundo permitiu que os estados e municípios pudessem de alguma forma se preparar para o que vinha. E é exatamente nesta situação que nos encontramos agora novamente. 

Temos acompanhado nas últimas semanas não somente um aumento no número de casos, como também de internamentos e mortes em boa parte da Europa. Neste momento, já são vários os países que anunciam medidas mais duras de isolamento e distanciamento social para conter a chamada segunda onda da pandemia por lá. Já são 14 países, até agora, que anunciaram tais ações. Por lá, a situação é encarada com a seriedade que a vida das pessoas merecem.

No que nos cabe, aqui no país, ainda é cedo para falar em uma segunda onda. Em primeiro lugar, por uma questão um tanto óbvia: sequer saímos da primeira onda. E isso, de fato, torna a nossa situação bem peculiar para conseguir cravar qualquer que seja o cenário das próximas semanas. Porém, numa tentativa de apontar possíveis quadros, diria hoje que voltaremos a sofrer, enquanto país, ainda mais por conta da Covid-19.

É evidente que não se trata de uma mera previsão e devemos seguir acompanhando e analisando os cenários para melhor entender o que vem pela frente. Porém precisamos nos preparar. Não dá para normalizar sequer o patamar das centenas de mortes diárias que ainda enfrentamos. A pandemia ainda não acabou e, provavelmente, ainda teremos que lidar com os seus impactos por um bom tempo. Pela vida dos brasileiros e das brasileiras.

Edição: Vanessa Gonzaga