Fiança

Policial cúmplice do assassinato de Floyd paga R$ 3,7 milhões e deixa cadeia

Familiares de Thomas Lane fizeram campanha online para pagar fiança; morte impulsionou protestos antirracistas nos EUA

Brasil de Fato | São Paulo (SP) |

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Thomas Lane ajudou Derek Chauvin a pressionar George Floyd contra o chão durante ação que sufocou homem negro até a morte - Foto: Handout /AFP

Thomas Lane, um dos três ex-policiais acusados de participação na morte de George Floyd, foi solto nesta quarta feira (14) após pagar uma fiança no valor de US$ 750 mil, o equivalente a R$ 3,7 milhões. 

Lane presenciou inerte o momento em Derek Chauvin asfixiou o homem negro de 46 anos com o joelho até a morte no dia 25 de maio. Além dele, Tou Thao e J. Alexander Kueng, outros agentes que acompanhavam a abordagem, também foram indiciados como cúmplices e continuam detidos.

Chauvin, por sua vez, foi acusado por homicídio de segundo grau, o equivalente ao homicídio doloso, quando há a intenção de matar. Ele aguarda julgamento em uma prisão de segurança máxima, com uma fiança estabelecida pela Justiça de US$ 1,25 milhão. 

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Segundo o jornal The New York Times, em audiência realizada na semana passada, o advogado de Lane argumentou que o então oficial, demitido após o episódio, “é um novato que apenas obedeceu a Chauvin.” 

"O que meu cliente deveria fazer senão seguir as ordens de seu oficial de treinamento?", disse. "Ele fez tudo o que achava que deveria fazer”, disse.

Para pagar o valor da fiança, familiares de Lane fizeram uma página online de arrecadação financeira, que foi retirada do ar depois que ele foi libertado. Com fotos de Lane em serviço, o texto do site afirmava que o agente fez "tudo o que pôde para salvar a vida de George Floyd". 

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Morte de George Floyd ocorreu em 25 de maio / Foto: Darnella Frazier /Facebook/ AFP

No entanto, as imagens que circularam amplamente nas redes sociais mostram Lane e Kueng ajudando Chauvin a manter Floyd prensado ao chão, mesmo estando completamente em posição de rendição. Durante mais de 8 min de ação, os policiais ignoraram os avisos de Floyd, que disse constantemente que não conseguia respirar, assim como não atenderam os pedidos de testemunhas que gravavam a abordagem abusiva. 

Lane ainda terá uma audiência com um juiz em 29 de junho.

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A morte de Floyd gerou indignação internacional e ocasionou uma série de protestos antirracistas ao redor do mundo, que duraram por diversos dias consecutivos. Apenas nos Estados Unidos, mais de mil cidades americanas registraram manifestações contra a violência policial, segundo o USA Today. 

Após uma série de homenagens, o corpo de George Floyd foi enterrado na terça (9), em Houston, ao lado de sua mãe. 

Edição: Rodrigo Chagas